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SEMINÁRIO:
ATUAÇÃO DOS CONSELHOS DE SAÚDE DA BAHIA NO ACOMPANHAMENTO DAS POLÍTICAS DE SAÚDE REGIONALIZADAS
O Conselho Estadual de Saúde da Bahia (CES-BA), em parceria com o Instituto de Direito Sanitário Aplicado (IDISA), realizou no dia 11 de maio de 2026, no auditório da Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab), o “Seminário de Regionalização: Atuação dos Conselhos de Saúde da Bahia no Acompanhamento das Políticas de Saúde Regionalizadas”.
O evento reuniu conselheiras e conselheiros de saúde de diversas regiões do estado, representantes da gestão pública, trabalhadores da saúde, pesquisadores, estudantes e instituições parceiras para debater os desafios e estratégias relacionados à regionalização do Sistema Único de Saúde (SUS) e ao fortalecimento do controle social na Bahia.
A programação contou com apresentações culturais, mesa de boas-vindas, palestras, debates e apresentação de propostas estratégicas voltadas à ampliação da participação popular e ao fortalecimento das políticas regionalizadas de saúde.
Entre os participantes da mesa de abertura estiveram o presidente do CES-BA, Marcos Gêmeos; o conselheiro estadual Rosalvo Junior; a secretária executiva do CES-BA, Zirlene Matos; representantes da Sesab; além da presidente do IDISA, Dra. Lenir Santos.
Durante o seminário, especialistas destacaram a regionalização como elemento estruturante do SUS e defenderam a necessidade de ampliar a participação dos conselhos de saúde nos processos de governança regional.
A presidente do IDISA, Dra. Lenir Santos, ressaltou que a regionalização “é constitutiva do próprio conceito do Sistema Único de Saúde”, defendendo maior articulação entre os conselhos municipais e o conselho estadual no acompanhamento das políticas públicas de saúde.
O presidente do CES-BA, Marcos Gêmeos, enfatizou a importância da participação popular e da interiorização do debate sobre regionalização. Segundo ele, “não existe regionalização sem participação social” e o fortalecimento dos conselhos municipais é fundamental para consolidar uma política pública de saúde democrática, territorializada e conectada às necessidades da população baiana.
Ao longo das discussões, foram abordados temas como governança regional, financiamento do SUS, formação permanente para conselheiros de saúde, fortalecimento das regiões de saúde e a necessidade de construção de mecanismos de articulação regional do controle social.
O seminário também marcou a apresentação de uma Pesquisa diagnóstica sobre a atuação dos conselhos de saúde no processo de regionalização e o lançamento de um Manual orientativo voltado ao fortalecimento da atuação dos conselhos municipais e estadual.
Além disso, foi apresentada a proposta de um Plano de Ação Estratégico para ampliar a participação social e fortalecer a regionalização da saúde na Bahia.
O encontro reafirmou o compromisso do CES-BA, do IDISA e das instituições parceiras com a defesa do SUS público, universal, regionalizado e participativo, fortalecendo o papel dos conselhos de saúde como espaços fundamentais de controle social e garantia do direito à saúde.
Principais assuntos tratados no Seminário
A Regionalização como Essência do SUS A regionalização foi debatida não apenas como uma diretriz, mas como parte constitutiva do próprio conceito do SUS, conforme o Artigo 198 da Constituição, sendo essencial para transformar sistemas fragmentados em redes integradas de atenção à saúde. Destacou-se que a região de saúde deve ser compreendida como um território vivo e ocupado pelas pessoas em seu cotidiano, e não apenas como um espaço de planejamento governamental.
Também foi discutida a necessidade de uma governança interfederativa mais forte, destacando movimentos no estado como a construção dos Comitês Executivos de Governança da Rede de Atenção à Saúde (SEGRAIS) nas macrorregiões da Bahia.
O Papel e os Desafios do Controle Social
Um dos principais descompassos levantados foi que, enquanto a gestão e a assistência à saúde têm se tornado regionalizadas, os conselhos de saúde permanecem desarticulados, sem uma visão mais abrangente dos compromissos mútuos assumidos pelos gestores municipais de saúde, no âmbito de cada uma das regiões de saúde, para viabilizar a prestação de serviços à população.
Para atuar nessa nova dinâmica, os conselheiros e conselheiras relataram enfrentar barreiras significativas:
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Falta de estrutura e orçamento: Muitos conselhos municipais operam sem a estrutura básica necessária, enfrentando a ausência de veículos para fiscalização, falta de espaços físicos adequados e negativa de custeio para passagens e diárias institucionais.
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Interferência política: Houve queixas sobre gestões locais que realizam manobras para inchar os conselhos com pessoas alinhadas aos seus interesses, esvaziando as reuniões e ferindo a autonomia do controle social.
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Educação Permanente e Linguagem: A dificuldade em analisar documentos técnicos, contábeis e de planejamento complexos (como o RAG e os planos de saúde) foi uma preocupação central. Foi reiterada a necessidade urgente de qualificação contínua e da simplificação da linguagem técnica para garantir que a população participe efetivamente das decisões, e não apenas de forma simbólica.
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Subfinanciamento e Ameaças de Privatização
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O subfinanciamento crônico foi apontado como o maior problema que o sistema enfrenta atualmente. O SUS opera com aproximadamente 3,9% do PIB, enquanto outros sistemas universais do mundo operam na faixa de 10% do PIB investidos de forma direta na saúde pública.
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Os palestrantes fizeram um alerta duro contra a financeirização da saúde e a privatização por dentro do sistema. Exemplificou-se isso com dados mostrando que grande parte da gestão da Atenção Primária no país foi repassada para Organizações Sociais (OS), o que foi caracterizado como a entrega de um papel estratégico do Estado para a iniciativa privada e um "suicídio" do modelo de saúde. O excesso de isenções fiscais dadas aos chamados hospitais de excelência também foi fortemente criticado.
Propostas e Encaminhamentos Apresentados
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Nova Organização Territorial do Controle Social: Foi anunciado que será apresentada uma proposta de resolução no Conselho Estadual de Saúde (CES-BA) visando criar um colegiado regional vinculado à comissão de regionalização. A ideia é garantir assento e voz para a população nos espaços de governança regional (como o SEGRAIS).
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Projeto Advoca SUS: O IDISA anunciou que está preparando o lançamento de um edital para o projeto "Advoca SUS", com o objetivo de criar uma rede de advogados e escritórios para oferecer apoio jurídico pro bono (gratuito) diretamente aos conselhos de saúde.
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Pesquisa Diagnóstica e Manual/Guia Orientativo: O evento também contou com a apresentação dos resultados de um levantamento documental feito nas macrorregiões e municípios sobre as percepções da regionalização, culminando no lançamento de um manual para fortalecer a fiscalização realizada pelos Conselhos.










